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Mostrando postagens de fevereiro, 2021

Gatilhos da Memória

Um som. Um cheiro. Um toque. Não importa o quê, um belo dia o gatilho dispara e você é inundado por uma avalanche de saudade, dá aquele aperto no peito e um nó na garganta que somente quem viveu um déjà-vú assim é capaz de imaginar.Não importa a ordem ou o tempo, algumas pessoas marcam nossa existência sem que saibamos o porquê. Se foi um familiar, um amigo, um evento, uma música, um amor, um vizinho, um mestre - pouco importa - alguma coisa aconteceu para marcar nossa memória. E feliz é quem consegue reviver esses momentos, recordando sem sofrer uma parte da vida que naquele tempo você nem nos seus maiores devaneios seria capaz de imaginar que viria a batizar aquilo com uma palavra: saudade!

Desapego

 Ela  anda estranha. Teima em levantar o mindinho pra se alimentar e preocupa-se com possíveis barulhinhos ao mastigar. Eu não reconheço sua lentidão, ela que sempre andou na nossa frente em todos os sentidos... não sei se sou eu chegando na vida ou ela iniciando o ritual da despedida, o fato é que em nossas viagens sua mala é cada vez mais leve. A vaidade limita-se ao protetor solar e comer bem. Viradas noturnas já não a atraem como antigamente, e eu fico perdido por não saber pra onde ela está indo, perto fisicamente mas alheia ao burburinho que lhe era tão caro tempos atrás. Nós adolescendo, ela se indo pra sua velhice de crochês e patchwork, aparentando uma certeza de ter vivido tudo que quis.               Queria muito abraçá-la e poder dizer que eu também já tenho certeza dos meus desafios, mas meu olhar me trai porque ainda trago no rosto todos os sonhos que ela um dia sonhou. Engulo o choro quando ela me abraç...