Lua, eterna lua..

Hoje é o dia dela. Tão dela que, enquanto os seridoenses esperam com ansiedade a chuva do dia de São José, nós consideramos que a chuva caindo no seu aniversário, 12 de abril, é um  sinal que o inverno ainda vai pegar.  Ou seja, até nisso ela foi marcante. Porque sendo Lua, tinha um pouco dos astros e dos mistérios da natureza.

Lembro que um ano o inverno teimou em não vir. Eu ouvia a conversa dos dois, ela e papai escutando a voz do Brasil naquele radio ABC e as noticias de chuva eram aterradoras, e ela começou a chorar quando papai falou que se não chovesse até o dia de São José não teria como pagar o colégio pra gente estudar. No dia seguinte acordei logo cedo, esperando um sinal e nada de nuvens no céu.

Fiquei numa tristeza só, o Jesus Menino era o mundo para mim. Infelizmente as previsões se confirmaram: a seca veio com tudo, e papai viajou para Natal para resolver alguma coisa. Ela não se deu por vencida: chamou um marchante, mandou reunir o gado e vendeu as reses necessárias para pagar a escola. Quando papai chegou ela sofreu na pele as consequências da venda do gado, e até hoje relembro seus gritos na briga que tiveram.

Minha mãe era uma guerreira. Lutou pela educação dos filhos com unhas e dentes, nunca aceitou um não quando o assunto era estudar. Eu devo a ela tudo o que aprendi na vida, o gosto pela musica, poesia e viajar. Por falar em viajar, quando estive na torre Eifeel, na Floresta Negra e na Abadia Westminster  ofereci e compartilhei com ela a beleza daqueles lugares. Sem ela, eu nunca teria tido a oportunidade de ir tão longe.

Pena que tenha partido tão cedo, quando ela já estava deixando seu papel de minha mãe e tornado-se daquelas amigas que a gente conta quase tudo... e eu infelizmente não aproveitei mais a melhor idade dela. No final, já se abria em confidências, cobria o rosto com as mãos quando eu, escandalizada, ouvia suas historias.  

 

Lua, minha mãe inesquecível, onde você estiver, não se esqueça de mim, de nós. seus filhos, netos, bisnetos e respectivos agregados, que aprenderam a lhe amar exatamente do jeitinho que você era. E por ser quem foi, será sempre lembrada, eternizada, adorada, idolatrada, como a Lua deve ser...

 

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